Em mais um dia de tórrido verão carioca a noite de quarta feira não foi comum. Ela reservava emoções fortes. Noite de Circo Voador e Maracanã lotados. Cada um com seu público, com sua vibração, sua idolatria, em comum – a tradição.

Indo para o show de cara me deparo com um engarrafamento gigante, me esqueci do jogo e como ele estava no meio do caminho para o Circo a noite não começava bem.

Atrasado, cheguei no show por volta de 21:30 de um show que começara 21:45. No melhor estilo “certas coisas só acontecem com o Botafogo” minha sorte continuava virada. Já na área de imprensa o cartão de minha câmera travou, e como tal espaço foi cedido por apenas 3 músicas me restou clicar no meio da massa com um cartão reserva milagrosamente perdido no fundo da mochila.

Sabe quando tudo parece dar errado? É aí que as coisas funcionam melhor. No palco, Greg Graffin, Jay Bentley, Brian Baker, Brett Gurewitz, Brooks Wackerman não fizeram nada mais do que deles se esperava. Com seus sucessos socialmente engajados e a presença de palco dos seus 30 anos de estrada, O Bad Religion, fez um show curto (1h20min) mas muito intenso. Com uma avalanche de hinos do punk rock americano (Generation, You, You Are The Government, Best for You entre outros) o clima na lona do Circo Voador foi de sincronia total. Fãs de todas as idades cantaram música após música com a mesma idolatria ensandecida típica de súditos agradecidos pelo desempenho dos quarentões do punk rock.

Na volta do show,passando pelo Maracanã, com os acordes de Sorrow que ainda pulsava em minha mente. Por um momento aquele som que me perseguia se afastou e surgiu os gritos de “Ninguém cala esse nosso amor”. Dizia o taxista que o Botafogo acabará de fazer o segundo gol.

Definitivamente, a noite de quarta feira foi dos Gloriosos.

Texto e Fotografia: Ronaldo Nogueira