Bowl Jam 2017. O evento #somostodosCBSK

Madureira

O tradicional bairro carioca, é mundialmente conhecido como a “terra do samba”. De uns tempos para cá com a volta do “boom” do skate carioca o bairro do subúrbio também agora é conhecido como referência no Skate, muito por conta da criação do Tatu Skatepark: Um paraíso para quem curte as quatro rodinhas.  Agora uma coisa não há de se negar. Madureira é a terra do Sol. Um dos fatores mais determinantes da etapa brasileira/carioca do Tour mundial de Bowl é o calor e quem melhor se adapta a ele.  No entanto, claro que Pedro Barros o grande campeão absoluto do evento em todos suas edições é um monstro: por aqui, do outro lado do mundo e no Alaska também se lá tivéssemos competição. Mas o fato do jovem italiano Ivan Federico, por exemplo, pouco aparecer nos treinos livres talvez seja um indício que o Sol manda por aqui. Talvez sim, talvez não. Mas certamente o calor é um toque especial nessa etapa de sucesso do Tour.

Novidades e ausências

Começando pelas ausências, algumas foram muito sentidas. A primeira delas é do grande Alex Sorgente, maior desafiante de Pedro nos outros anos em Madureira e atual campeão no Tour mundial de Bowl. Alex conhece bem as transições e é um rolé sempre bom de assistir. Outro que sentimos falta foi Greyson Fletcher, filho de família do surfe, o freak da Califórnia costuma dizer que anda de skate “para não ficar de bobeira em casa” (em entrevista ao Drope Magazine 2015). O cara é tão querido no Brasil que tem patrocínio Layback Beer marca de cerveja da família Barros. As ausências brasileiras mais marcantes foram de Vi Kakinho o caçula da família RTMF e o veterano Sandro Dias com sua variação de aéreos já tradicional.

Como novidades destaque principal para Iago Magalhães. Em seu primeiro ano de Bowl Jam e como Pro o curitibano como falam os locais da ZN “jogou o sal” no tribanks de Madureira. Com uma linha explosiva recheada de aéreos fez valer a pena a missão da galera das arquibancadas que enfrentou temperaturas acima dos 40°. O “pia” literalmente incendiou a pista.  Entre os participantes uma grata surpresa foi a presença de Jorge Zunga, uma lenda do skate local, uma justa homenagem da organização para um cara que sempre fez e faz muito pelo Skateboard Carioca. Outro que foi bem vindo foi o espanhol Jamie Mateu. O skatista andaluz era figura certa em todas sessões de treino e com seu carisma contou com o apoio do galera de Madureira. Mas de todas as novidades uma das que mais me agradou, além do rolé do Iago claro, foi a área de competição mais clean. Os locutores que antes ficavam no meio do Bowl em uma tenda com mesa de som foram trazidos para atrás dos juízes entre a área Vip e de imprensa. O mobiliário caixote que se somava a pista foi retirado o que também acredito ter sido positivo já que as transições do Bowl do Tatu Skatepark já são suficientemente complexas. Desta forma a galera local pode comparar suas linhas com o show que só os Pros proporcionam no Bowl Jam.

Fim de semana Bowl Jam

O sábado reservou algumas surpresas e afirmações. O mestre Bob Burnquist com sua linha técnica de base trocada não conseguiu uma vaga na final. Caíque Silva que ano passado se qualificou para a final com seu estiloso Stale Fish abrindo a volta foi outro que não passou para o domingo . Destaque para Rony Gomes com uma volta sólida passou bem para a final e Italo Penarubia que abriu sua linha de classificação com um lindo Boneless linkando com a parte funda do Bowl, o único a mandar aéreo por lá.

No domingo tivemos uma novidade muito bacana. A presença da banda Raimundos embalou as voltas dos competidores. A final começou tensa com vários participantes errando sua  linha. Como foi o caso de Ivan Federico que de cara errou seu Tail na grade externa da pista na cara dos juízes. Essa manobra estava na base nos treinos livres, azar do laptop que estava na mesa em frente a grade mas pelo visto foram apenas ferimentos leves, o computador sobrevive. Destaque da primeira volta claro para Pedro Barros que já inaugurou a casa dos 90 e para o curitibano voador Iago Magalhães que acertou sua linha de primeira.

Nas outras voltas o que vimos foi um Pedro Barros sólido com sua volta destruidora e um Iago errando tentando agregar novos elementos a sua linha. Ivan Federico que enfim acertou seu tail na grade completou sua volta com muita técnica e estilo subindo para o segundo posto no pódio.

Por fim com o pódio indiscutível fechado por Pedro, Ivan e Iago sobrou a festa do público que sempre dá o show no calor insano de Madureira. Está aberta a temporada 2017 de Bowl e que venha a próxima etapa na terra dos cangurus.

Classificação final Bowl Jam 2017

1. Pedro Barros  92.67 – 95.00 – 68.33
2. Ivan Federico 35.00 – 79.00 – 90.33
3. Iago Magalhães 87.67 – 67.00 – 35.00
4. Murilo Peres 79.00 – 69.33 – 84.67
5. Rony Gomes 83.33 – 63.33 – 63.33
6. Josh Borden 68.00 – 64.33 – 82.33
7. Danny Leon 81.33 – 71.00 – 82.33
8. Ítalo Penarrúbia 30.00 – 40.00 – 69.33

 

#somostodosCBSK 

Deixei o assunto do ano para final de maneira proposital. Pois precisamos deixar claro para todos que não vivem o Skate uma questão simples e que não vem sendo comentada:

“Foi o Skate que aceitou as Olímpiadas e não as Olimpíadas que aceitaram o Skate”

É claro que sabemos que o skate brasileiro e mundial precisa de um modelo de negócios para se desenvolver. Mas o que o skate tem em particular o que nenhuma outra categoria tem, ouso dizer nem o surfe tem, é o seu estilo de vida. Skate é e sempre será Rua. Para ser do Skate e ser aceito pelo Skate é preciso sobretudo viver o Skate. E falo isso de carteirinha exatamente por ser uma exceção. Pois todos sabem que não sou skatista, sou fotógrafo. Mas amo essa atividade e aprendi a entender sua essência, e por isso, fui recebido e aceito de braços abertos.

Isso posto vamos ao imbróglio:

Hoje a federação internacional que responde pelo skate nas Olímpiadas é a FIRS que conta com a CBHp como uma de suas filiadas. A CBSK é filiada a IFS entidade não reconhecida pelo COI, pois não possui ainda em seu quadro 90 federações internacionais, número o qual o COI exige como base para filiar uma Federação no roll dos Olímpicos.

O que se discute hoje não é toda a burocracia Olímpica e sim a questão a legitimidade. A CBHp  nunca organizou nenhum evento sequer de skate com nossos ídolos, que não são poucos, participando. A CBHp mal cuida dos seus quadros de Hóquei e Patins. Importante frisar não é uma luta contra o Patins é uma luta por justiça para as duas modalidades que precisam de representatividade no ciclo olímpico.

Em suma, como disse antes foi o skate que aceitou as Olímpiadas e desta forma ou o COI filia a CBSK no FIRS o que também seria estranho ou abre mão de sua burocracia em prol do Skate e aceita a IFS como federação filiada, já que seu vice presidente (IFS) Tony Hawk foi um dos mais ativos para que o Skateboard fizesse parte dos jogos.

Como diz Bruno Funil, a voz do skate carioca em narrações de eventos: “Esse jogo vai virar!”

Mas sinceramente, se não virar quem perde são as Olímpiadas que muito provavelmente não vão contar com astros como Pedro Barros. O primeiro a falar publicamente que com a CBHp não tem rolé.

Vamos aguardar os próximos capítulos. O que há de concreto é que o Bowl Jam mais uma vez foi um sucesso. Graças a CBSK e ao diretor do evento André Barros. Evento organizado por skastistas para skatistas.

CBSK
Clique Aqui para participar do abaixo assinado da campanha que busca o reconhecimento da representação da CBSK como gestora do Skate Olímpico.

 

Texto e fotografia: Ronaldo Nogueira

*clique no link youtube e curta a galeria de imagens

 

 

 

 

 

 

 

 

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Carioca, geo empirico, fotógrafo fundador do Drope, boa praça. Gosto de clicar folhas secas, música em excesso e novos livros. Carrego comigo simplicidade, não desprezo a intuição, as inspirações da madrugada e sou um sonhador acordado. Um cara bem intencionado, bem humorado e otimista. Aprendendo a viver de uma maneira mais lúdica. Coleto energia do mundo que me cerca. Aprecio os elementos da natureza, areia, mar, Sol, luar para o enriquecer da alma. Amo Floripa, resido no Rio, mas quero mesmo uma casinha no Hawaii. Entre o teclado na edição e o enquadramento da lente fotográfica vivo minha vida (dropando). (cm)

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