Coluna Surfocrata: 2x JJ

Ufa! Não vai ter Copa! Teve Copa. Não vai ter Golpe! Teve Golpe (pra uns, pra outros teve Impeachment). Não vai ter etapa do WCT na água suja do Postinho. Teve etapa do WCT na água suja do Postinho.

Quando soube que australianos deram um “ultimato” para os organizadores do Rio Pro caí na gargalhada! Que mimimi mais batido! Se tiver grana pra correr o CT em Itapuca, no meio da poluição da baia da Guanabara, neguinho vai correr e ponto final. O que manda no show é a grana e não o discurso pseudo ambientalista!

Essa ânsia de levar os caras lá pro Grumari, lindo mas longe pacas, passa pelo nosso complexo de vira latas. Não adianta, brasileiro não sabe reagir bem a criticas. Simplesmente ultrapassa nossa compreensão.

Somos anfitriões muito atenciosos. Temos orgulho em levar os caras para os lugares que achamos interessantes, mostramos picos desconhecidos, levamos pra ver futebol, comer churrasco e feijoada, mas basta o cara falar que as ondas daqui são uma merda que pronto! O cara vira persona non grata.

Afirmar o que todos sabemos, mas nunca concordamos é recebido sempre como uma ato de ingratidão. E não como o que realmente é. Uma constatação. O Brasil simplesmente não tem ondas de qualidade e seus os melhores picos recebem boas ondas poucos dias por ano! Isso é fato, e não denigre a imagem do surf no país. Talvez até enalteça, já que temos tantos bons surfistas em ondas tão ruins.

Imagina se o KS ficaria chateado comigo se eu falar pra ele que a Florida é uma merda no quesito onda? Creio que ele concordará…

Fato é que o assunto rendeu nos primeiros dias pré evento até o fim da primeira fase, tudo ainda no distante e rural Grumari. Local protegido ambientalmente que recebeu a elite do surf, que usou e foi embora sem deixar um legado sequer. Típico.

No inicio da semana falavam que este foi o último evento no Rio, no fim da semana o papo já mudou…a ver.

Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

 

 

TRIAGEM

A triagem deu polemica pela forma eleita para a disputa das vagas, que originalmente eram do campeão brasileiro.

Tudo foi feito de modo que mais surfistas cariocas tivessem chance de entrar no evento principal. O campeão do mundo de longboard, Phil, era alternate para a pré triagem. Estava na área quebrando na pranchinha, devia ter entrado, não entrou.

A triagem foi um mini evento realizado nas melhores condições de todo o OI Rio Pro.

Pelo lado dos cariocas, sem eventos para competir, os $9.000 da premiação em caso de derrota na repescagem do CT garantiriam um bom fim de ano para qualquer um.

Interessante que no final, a vaga acabou agraciando quem seria agraciado pela regra antiga, já que o vice campeão brasileiro do ano passado levou a vaga.

Se tivesse mais uma essa teria que ir para Leo Neves, e se tivesse duas, a outra teria que ir para Guga Fernandes.

De qualquer sorte foi um show para quem estava na areia. Caras como Simão Romão, Leandro Bastos, Lucas Chumbo e Jeronimo Vargas se jogaram nas cracas do Grumari.

Aliás, um pecado o evento principal não ter começado um dia antes. 2 a 2,5 metros abrindo bastante, com sol e água quente, coisa de dream tour, eu diria…

Marco Fernandez Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

Marco Fernandez Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

 

 

WCT

Em termos de julgamento, esse foi o melhor evento da WSL até aqui. Agora, em termos de chamadas para o inicio do evento, os famosos Calls, este pode ter sido o pior evento do ano.

Nada explica a correria que foi feita tanto com as meninas quanto os meninos. A quarta feira, dia 18/05, poderia ter sido o dia da fase 3, a quinta feira, dia 19/05, poderia ter sido o dia das fases 4 e 5, enquanto as finais poderiam ocorrer na sexta feira, dia 20/05.

Tyler Wright Rio Pro 2016 Postinho – Final do Feminino Foto: Ronaldo Nogueira©

 

Ao invés disso, foi tudo feito corrido, em condições mais próximas da loteria do que qualquer outra coisa e sem o principal…público. Em dias de vento e chuva poucos fieis tiveram a coragem de acompanhar in loco a etapa do mundial.

De qualquer forma, depois daquela “pressão”, “ultimato” e afins, acabou que o evento teve a sorte de ter baterias bem disputadas e momentos do mais puro espetáculo surfístico. Mas as chamadas desastrosas devem refletir em estatísticas negativas nos lucros do campeonato.

Ítalo Ferreira e Filipe Toledo, pode-se dizer, foram as maiores vitimas dessa correria. As condições do final de tarde do dia 18 estavam longe das ideais.

Ítalo correu atrás, tentou de tudo, até pediu pro jet deixa-lo num pico diferente…não teve jeito, os mais de 16 pontos feitos nos primeiros 5 minutos o deixaram numa situação muito difícil de reverter.

Já Toledo teve a vitória nas mãos. Após um belo tubo, uma batida na junção o garantiria na próxima fase. Seu instinto de voar mandou nos pés, mas a confiança na volta do aéreo ainda não é mesma, e o 10 virou 5 aí já era.

Caio Ibeli é o cara mais regular do Tour neste ano. Não sabe o que é perder antes da fase 3 e se arrancar um pódio ou 2 quartas de final vira candidato ao título. Dito isso e lembrando que o moleque é bom de morrancas, a próxima sequencia do tour pode leva-lo à amarelinha.

Wigolly Dantas esta precisando inovar mais. Seu surf estiloso e power esta precisando de uma sacudida…a juizada exige isso não soltando nota pra ele.

Alex Ribeiro infelizmente esta sendo o saco de pancadas do circuito. Numa etapa que lhe favorecia novamente ficou no 0 e as próximas etapas estão longe de sua zona de segurança.

Miguel Pupo arrancou um belo quinto lugar no Rio, mas ainda mostra sua habitual inercia. Enquanto seus adversários correr para todos os lados do pico atrás da onda salvadora, Miguel fica esperando e esperando.

Jadson André parece que ainda não está 100% recuperado. Surfou abaixo do seu normal, ainda mais para beach breaks.

Alejo Muniz fez bonito na primeira fase no Gruma, mas caiu na fase 3 contra JJ…tinha que fazer milagre num mar ruim…difícil para qualquer um.

A ausência de estrelas do calibre de Fanning, Parko, KS e Taj se foram sentidas, foi apenas pelas fãs surfetes de plantão, porque na água a guarda já esta trocada e os novos nomes deram conta do recado, com sobras, independentemente das condições irregulares do mar as novas estrelas estavam nas fases 4 em diante.

Dos 4 finalistas apenas Freestone destoava como “não pertencente” ao clube. Seu lugar ficaria muito mais confortável nas mãos de um Ítalo, Filipe, Ibeli, Zietz ou Smith. Mas o surf competição é isso, e Jack fez por merecer seu lugar na final, mesmo sendo alguém que considero insignificante na luta ao caneco do mundo nesta temporada.

Já JJ, Mineiro e Medina estavam em seu ambiente. Nas cabeças, disputando títulos. Foi interessante observar o quanto JJ evoluiu. Atravessou a praia atrás do Mineiro para marca-lo e ainda achou mais um escore enquanto o brasileiro tentava se desvencilhar da marcação.

Parecia que JJ estava puto com o Mineiro por este ser Pipemasters antes dele. De qualquer forma é um JJ novo senhoras e senhores…olho nele. Será o anti brazilian storm.

Foi uma surra e tanto. Mineiro não se esquecerá disso.

Já Medina era, depois do Ítalo, o freak a ser batido. Estava com tudo e merecia fazer a final…mas vou repetir como um mantra…merecer não tem nada a ver com isso…

Gabriel Medina Rio Pro 2016 Postinho Foto: Kin Carlos©

 

Ouvi muita reclamação quanto ao “estrelismo” do Medal e a sua equipe de assessores…imagino que deva ser um inferno ser Medina numa cidade de Medinetes, mas tem que continuar…ser ídolo não é fácil e ter que ter vocação…

Ao menos na agua provou o que eu vinha falando. Não há nada de errado no seu surf, nem na sua forma de competir. Mas é preciso sorte…um pouco que seja. E nesta etapa o curso natural se seguiu até a semi final, disputada em condições adversas, onde, sendo justo, Medina deu chance para a virada ao sentar-se em cima do 9 conseguido, no estilo Pupo, e não correr atrás da segunda nota como devia.

 

GRINGOS

Me chamou a atenção a fúria de Kolohe ao ser derrotado no detalhe para o insosso Matt Banting, até porque o californiano pegou umas 20 ondas enquanto Matt pouco mais de 3 ou 4, e o quanto o surf de Smith sobe e desce de qualidade conforme o mar.

Zietz e Flores estavam impossíveis no freesurf e não corresponderam na competição e por fim pode-se dizer que a mágica do Wilko acabou. Duvido que continue líder após o Tahiti.

Matt Wilkinson Rio Pro 2016 Postinho Foto: Kin Carlos©

 

A SEMANA DE SURF

Pelo que testemunhei nesta semana de surf internacional na cidade em que vivo farei uma afirmação controversa: Ítalo é o melhor surfista do mundo!

Foi, de longe, quem mais me encheu os olhos. Sua velocidade, força, agilidade e inventividade são impressionantes. E o mais importante, quase não cai da prancha.

Arrisco dizer que se vencer em Fiji arranca para o caneco.

Ítalo Ferreira Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

Ítalo Ferreira Rio Pro 2016 Grumari Foto: Ronaldo Nogueira©

 

Depois dele vem Medina e JJ…extra série, ambos.

E daí vem o resto, com menção honrosa para Mineiro, Smith, Diva e Caio. O nível do WCT, finalmente esta nivelado por cima. Com o fim de casos esquisitos como o de Hall, Travis e Simpo o CT hoje não tem ninguém que se possa, sequer, colocar dúvidas. São todos muito bons e capazes de vencer.

Há exemplos dos “sacos de pancada” como Keanu, Banting e Ribeiro, mas estão longe de serem considerados pregos.

O QS fez esse trabalho. Devemos isso ao circuito de baixo, onde o nível esta se nivelando por cima também.

Talvez seja a hora da WSL se enxugar. Ao invés de 34 caras, 16, com 4 convidados, talvez seja uma formula a ser explorada.

Até Fiji.

p.s.: estão vendo altas em Fiji? Gold Coast tudo de novo, não? Altas antes e depois do evento…o das meninas, deverá ter mais ondas.

 

John John Florence

John John Florence Rio Pro 2016 Postinho Foto: Kelly Cestari©

 

 

 

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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