Coluna Surfocrata: A Sorte que a WSL tem Jadson

Estou com uma sensação de que o mundo todo esta dando graças aos Céus pelo fim deste ano de 2016. Em todos os países, independente das profissões e classes sociais percebo uma insatisfação e um desejo para que esse ano acabe logo.

Peço escusas para os defensores do golpe, assim como peço escusas aos defensores do ano competitivo da WSL. Foi uma merda! Detalhes que mudaram o resultado final estão entalados na minha garganta até hoje! (sim, as viúvas de Trestles, me incluo!)

Infelizmente os atos da entidade “dona” do surf competição estão bem fundamentados na história dos esportes. Fifa e Fia, para ficar em poucos exemplos, são devedores contumazes de transparência com resultados esportivos pra lá de duvidosos em sua história.

Com o agravante de que, com o passar dos anos, ninguém lembra como fulano ganhou um título mundial, apenas que ganhou um.

Muitos insistem no discurso de que JJ merecia e que ele foi o melhor do ano de qualquer forma. E que só reclamo porque não tem um brasileiro vencendo, que estou mal acostumado. Longe disso, me posiciono firmemente dentre aqueles que acham que JJ, justamente por ter sido o melhor do ano, não precisava de certas atitudes da WSL e funcionários (juízes).

 

John John na etapa carioca do Tour. Rio Pro. Foto: Ronaldo Nogueira©

John John na etapa carioca do Tour. Rio Pro. Foto: Ronaldo Nogueira©

 

Esse últimos, aliás, perdem uma grande oportunidade de serem de fato protagonistas. Escondem-se atrás das papeletas e não justificam (ao menos publicamente) suas decisões. Não sei sinceramente se é uma opção da entidade, do Porta, ou deles próprios, mas se ao menos aparecessem, dessem a cara a tapa, como os juízes de futebol ou o diretor de provas de uma corrida, para ficar nos exemplos que citei, creio que poderiam se defender, se explicar e até mesmo convencer alguns dedos acusatórios, porque não?

O Head Judge até já se justificou antes, mas dada sua posição efêmera, não se pode dar o mesmo valor ao seu depoimento quando podemos ouvir quem de fato deu a nota 8, e porque, ou melhor ainda, ouvir dos caras a explicação da virada do Julian sobre Jadson em Portugal. Nunca acontecerá, mas não custa sonhar.

Parece mimimi, mas a verdade é que a grande revolução do surf mundial foi a criação dos períodos de espera para conclusão dos eventos, porque em termos de (erros de) julgamento estamos na mesma.

Voltando ao Jadson, é uma tremenda sorte da WSL, inclusive, tê-lo no seu time. A foto do Potiguar devia estampa todas as salas do escritório da WSL na Califórnia, como funcionário do mês, explico:

 

Jadson André na parte de cima do tubo do Postinho. Foto: Ronaldo Nogueira©

Jadson André na parte de cima do tubo do Postinho. Foto: Ronaldo Nogueira©

 

Num ano com o título mundial decidido antes do Hawaii, o grande chamariz de final de ano na Tríplice Coroa era a definição do WQS. E a vaga que Jadson conquistou no Hawaii com atuações acima da média foi a grande história da Tríplice Coroa. Sem dúvidas. As ultimas 3 etapas do QS/2016 do Jadson mereciam filme, minissérie ou novela da Globo, estátua em praça pública no centro de Natal e chave da cidade.

Quero inclusive sugerir uma edição de vídeo do tubo do Jadson em sunset, com aqueles óculos escuros de quem tira onda, sabe? Merece:

Foi um tremendo bem feito pra mídia nacional. Repararam que tivemos menos jornalistas brasileiros no Hawaii neste inverno? Sites já bem estabelecidos no mercado deixaram de enviar seus guerreiros. É a crise? Não, é a falta de clima, a decisão antecipada e nenhum brasileiro nas cabeças.

Quem não foi para lá perdeu também a classificação do Ian. Além da alegria da manutenção da vaga de Jadson, essa foi a outra grande notícia do inverno: a inclusão de Ian Gouveia no CT, será prato cheio para a Globo, aguardem! Ele surfa muito e seus melhores resultados virão de ondas de consequência.

O Pipemasters foi um bom exemplo de que o universo conspira contra um ano de circuito mundial tão ruim como foi esse. As melhores imagens vieram sempre do Free Surf, que mesmo inconstante, proporcionou momentos mais marcantes que o evento em si.

Não pretendo desmerecer os finalistas, tão improváveis quanto uma aposta vencedora da mega sena, mas o evento foi todo chato, no final ondas perfeitas e demoradas levantaram Kolohe ao Top 5, imortalizaram Bourez nas ilhas (já venceu todas! Sunset, onde já foi vice nos anos de 2011 e 2013, venceu em 2014 e em Haleiwa venceu em 2008 e 2013) e proporcionou outra grande história da temporada, com Igarashi garantindo Ezekiel Lau no tour de 2017, mas acho que ficou nisso.

Histórias como a de Jadson e Lau nos mostram o quanto esses caras dedicam, o quanto significa o surf competição na vida desses caras e o quanto um julgamento equivocado pode mudar uma vida. A responsabilidade é grande, maior do que a WSL aparenta perceber.

De bom mesmo foi ver que Filipe e KS estão afiados para 2017, os quais se juntam a JJ, Medina e Mick como principais candidatos ao caneco, que certamente podem ser desafiados por Ítalo, Smith, Wilson e Mineiro.

 

Filipe Toledo em Saquarema. Próximo palco do Rio Pro 2017. Foto: Ronaldo Nogueira©

Filipe Toledo em Saquarema. Próximo palco do Rio Pro 2017. Foto: Ronaldo Nogueira©

 

Esse pequena lista de nomes que fiz pode nos presentear com um 2017 melhor, competitivamente falando, basta a WSL deixar.

Feliz Ano Novo a todos.

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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