Coluna Surfocrata: Está Chato ou Está Diferente?

Não estou no grupo daqueles que não estão gostando deste mundial de “caras novas”. Estou é achando deveras interessante. Até porque não creio que os 2 primeiros do ranking se mantenham e a porta esta literalmente aberta para caras como ADS, GM, Wilson e principalmente Filipe Toledo e Ítalo Ferreira.

Prefiro ver o Circuito Mundial de Surf Profissional de 2016 como um filme de bom roteiro. Antes são apresentados os coadjuvantes, com algumas aparições relâmpago das verdadeiras estrelas que irão se impor de verdade no meio para o fim da trama, que tende para um final épico.

As ondas não estão tão chatas quanto o gestor da bagaça. Me preocupa a interferência de KP. Adler observou em Bells que as escolhas de Kieran denotam “o tipo de condição onde ele quer ver os caras”. Em Bells, os caras poderiam finalizar o evento num mar mediano e clássico, como as meninas, mas ele preferiu coloca-los num mar grande e torto.

É preciso entender a mente de um cara como KP. Ele só se destacou em mares cascudos e aquilo que vemos como 8/10 pés fechando ele vê como 8/10 pés clássico. Quando observamos 4/6 pés liso e perfeito ele vê como marolas insurfáveis de vento. Penso que isso pode ser péssimo para o circuito.

Não consigo imaginar o que há de errado com os picos escolhidos na terra de Oz, pois oportunizam tudo que se quer ver num campeonato de surf. Tubos, manobras de borda, aéreos, o que mais o consumidor de surf competição quer? Sorte de ter altas sempre que acontecer campeonatos? Ou mais dos favoritos nas cabeças?

Como eu observo que as criticas vem do lado gringo também, acho que esse bode com os picos (clássicos) de Snaper, Bells e Margie, vem também da ausência das grandes estrelas do circuito nas cabeças, liderando o certame.

Eu entendo. Mal comparando, o surf hoje em dia vive o que a F-1 viveu nos anos 80, com 4 ou 5 caras espetaculares, no auge da forma e em grandes equipes. Imagine só, em 86, com Piquet, Prost, Senna e Mansell se pegando na porrada na pista e me aparece um Ricardo Patrese na liderança do mundial? Pior, com um Derek Warwick na vice liderança após 3 etapas! Não adianta, coadjuvantes não viram estrelas.

É evidente que isso não se sustenta, o que me trás novamente à esperança de um meio para final do ano espetaculares, com Toledo, Medina, Wilson, Florence e de Souza voltando ao lugar de direito.

 

BRASILEIROS

 

Falando no atual campeão do mundo, creio que ADS está exagerando na humildade. Seu discurso de que “vou me esforçar para me qualificar e voltar aqui no ano que vem” não engana ninguém. Não é necessário isso. Todos sabem que num ano ruim de ADS ele é top 10 do mundo. Seu surf fora de forma é desse nível. Ano passado teve um resultado ruim no Rio, mas é bom lembrar que ele já fez 2 finais ali e venceu uma.

Gabriel Medina, mal comparando, parece a seleção de 82. Esta tudo ali, todos os elementos do “vencedor irrefreável”. O estilo, a força, a velocidade e também as derrotas inesperadas, já contumazes, inapeláveis, indesculpáveis até. O que há com GM? Nada, respondo apressadamente ao leitor curioso. Ele está melhor do que nunca. Desde o Hawaii ele está surfando em estado de graça. Competir é outra história…

Acho, inclusive, que foi pouco (pouquíssimo) celebrada a vitória inédita na Tríplice Coroa Havaiana. O que Medina fez ali, vencer com aquela facilidade, naquelas ondas não se faz. E digo que ele vencerá ali inúmeras vezes, ao estilo Sunny Garcia, simplesmente por ser o mais bruto dos caras da nova geração. É quem bate mais forte, voa mais alto e entuba mais fundo. E ponto final.

Agora, derrotas num esporte subjetivo como surf são difíceis de entender. O que há para observar é que um atleta como GM sequer precisa de um inicio do ano meteórico para finalizar a temporada nas cabeças.

Wiggoly Dantas, o bamba, só não esta melhor no ranking por pequenos azares. Diferentemente do que rolou entre JJ e Caio, a onda que Kolohe achou a nota 9 que eliminou o ubatubense em Margies foi uma merreca e Dantas, mesmo que usasse de sua prioridade, não teria feito mais que um 5 naquela onda. Portanto, considero uma maldade achar que ele não soube competir…surf é ingrato mesmo. E em Bells foi garfado…

Alejo Muniz voltou de lesão no pior lugar possível e passou bateria. Muito mais do que Alex Ribeiro tem conseguido (embora se saiba que Alex não esteja a 100%). Parafraseando Mestre Adler, não falarei de Pupo para não chatear o leitor…

Caio Ibeli será o rookie do ano! JJ já é freguês preferencial e proprietário do IbeliCard 001!

E por último, quem eu acho que foi o segundo melhor nessa história de aproveitar a ausência de Filipe Toledo. Ítalo Ferreira, que de tantas vitórias e tantas entrevistas tem na Chelsie uma professora particular de Open English, no seu segundo ano regular na elite é candidato a Título Mundial.

O Potiguar, terceiro do mundo chega ao Brasil não para disputar uma etapa em casa. Não se engane! Ele vem ao encalço do Wilko. Ítalo tem o objetivo tão claro na mente que nem percebe se esta jogando em casa ou não, ele quer é vencer e escalar o ranking até o primeiro lugar, que ele julga, acertadamente, ser seu!

 

GRINGOS

 

Wilko! Essa era a resposta a pergunta que fiz no post anterior. Wilko foi quem melhor aproveitou a ausência do melhor surfista/competidor do mundo na atualidade, Filipe Toledo.

Após a lesão de Toledo o maluco beleza acumulou uma vitória e um nono lugar e está com certa folga na liderança do circuito mundial de surf.

Folga ainda melhor estabelecida pelo fato do segundo colocado do ranking sequer fazer parte da elite, sendo convidado para as etapas como substituto de lesionados oficiais do circuito.

A SurfPortugal fez uma análise interessante sobre o potencial problema que Zietz pode trazer a WSL quando os lesionados voltarem. Deram sorte que Taj se aposentou, embora vá a Fiji, etapa que pode não ter um sério concorrente ao título, Seabass.

Aliás, neste ano a WSL está podendo abusar dos convites e de fato tem acertado mais que errado neles. No Brasil, inclusive, a vaga que deveria ser destinada ao campeão brasileiro do ano anterior está dando o que falar com a decisão (dos atletas) de escolher o convidado numa triagem.

Zietz venceu merecidamente. Soube perceber o que a juizada queria e se encaixou nas ondas. Acho que foi supervalorizado em algumas oportunidades, mas no geral Seabass foi o melhor em campo no west oz.

Wilson is coming…

Que venha o Rio Pro, naquele que tende ser seu último ano na cidade maravilhosa. A região da Barra da Tijuca precisa de uma ressaca urgente para melhorar seu fundo…se isso não acontecer, o palanque alternativo do Gruma deve ser utilizado, o que deverá ocorrer com muitos transtornos para os envolvidos, do público aos atletas. Vai vendo.

Matt-Wilkinson

Compartilhe...Tweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+Email this to someoneShare on FacebookShare on LinkedInShare on Reddit

Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

Login

Anti-Spam, Porque Por favor, responda a questão! *