Coluna Surfocrata: Jeremias quebrou a cabeça para vencer!

Jeremy Flores tem minha simpatia desde o dia em que o ouvi falando um português claro, perfeito, com leve sotaque paranaense, confessando que é noveleiro. Um noveleiro não pode ser má pessoa.
Recém saído de um grave acidente enquanto surfava na Indonésia, Flores competiu de capacete e mostrou uma forma que, convenhamos, não víamos no francês há tempos.
Sendo justo, esta forma já estava se manifestando na última etapa em canhotas, quando ficou em terceiro em Fiji. Mas havia alguns anos que Jeremy não mostrava o que dele se espera no CT. Se envolveu em algumas polêmicas, foi punido e parece que resolveu se ajustar ao esquema e simplesmente surfar.
A etapa do Tahiti foi um desastre de condução do Lorde Comissário Kieran Perrow. Vejam os videos dos day off e comprovem a incompetência do dito cujo. Dito isso, pode-se considerar um sucesso o fato dos dois melhores atletas do evento estarem na final.

 

No primeiro dia, um mar esquisito e pesado mostrou uma máxima do esporte. Se você se acha prego, quanto pior o mar, mais prego você vai parecer. E o inverso também é verdade. Num mar desse tipo, os melhores se sobressaem. Exemplos? Glenn Hall e Kelly Slater.
Voltando aos melhores do evento, Gabriel sabe onde e quando errou. Após a primeira boa de Jeremy o campeão já sabia, lá no fundo, que havia perdido sua primeira final em 2015. Vem outras por aí. Duvida? Há quem diga que Gabriel arrancou e chegará em Pipe disputando o título e Mineiro não. Será?
Mineiro terá que reagir já em Trestles. Não tem saída. Pelo seu retrospecto, o ideal é chegar no Hawaii com certo conforto no ranking, para isso precisa voltar a ficar entre os melhores nas próximas 3 etapas. Lutará até o fim, estou certo disso, mas suas chances diminuem a cada dia.
Do outro lado tupiniquim da luta ao título o jovem guerreiro Toledo arrancou um 9º na raça, visto que machucou o braço num dos “days off com altas ondas” do tio Perrow e fez bonito na bateria da fase 4 contra Owen e Kai, na fase seguinte, acabou perdendo para Italo sem surfar. Esse 9º lugar num lugar novo (pra ele) e adverso pode lhe dar a tranquilidade necessária para encarar 3 etapas seguidas que o favorecem.
Arrisco dizer que Filipe Toledo chegou num nível tal que o normal é ele vencer em Trestles. É um absurdo isso, eu sei, mas acho que é também, um fato.
Se os fãs de Medina afirmam que começou a arrancada do campeão do mundo, digo para observarem a arrancada de Toledo nessa fase do ano. Ademais, se não for esse ano, há tempo! “Examinando a ficha de Filipe tomamos um susto: – 20 anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Toledo. Eu, com mais de 40, custo a crer que alguém possa ter 20 anos, jamais. Pois bem: – verdadeiro garoto, Filipe surfa com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se “Imperador Jones”, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: – ponham-no em qualquer pico e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.”*
Para finalizar os brasileiros vemos situações opostas dos estreantes e dos veteranos. Enquanto Ítalo e Guigui esbanjam tranquilidade, surf e resultados, vemos Jadson e especialmente Miguel esbanjarem surf, mas não (tantos) resultados.
Ítalo é um caso a parte. Alguém poderá objetar que Wigolly não esteja muito atras. Ao que respondo que não está, mas não tem demonstrado a frieza do potiguar, principalmente na derrota, quando o local de Baía Formosa tem caído de pé!

Os ataques suicidas de Ítalo sobre rasas (expostas?) bancadas de coral já estão virando lenda. Mesmo com a grande massa, “com teimosia, com bovina obstinação”*, repetindo sobre a desnecessidade daquelas últimas manobras, Ítalo apresenta seu show (até porque está ali para isso), mandando floaters gigantescos como os de Fiji ou aéreos monstro como os do Tahiti. Esta, aos poucos, ganhando a massa. E deve ganhar o rookie of the year no processo.

foto do Facebook do Ítalo.

 

Apenas para não dizer que não falei dos gringos, CJ não foi surpresa para quem o conhece e só se aposenta se não se requalificar. Owen é quem esta em melhor posição para buscar a liderança do tour, já que esta arrancando num momento chave do ano. Kelly Slater está sem vencer um evento desde o Pipemasters de 2013. O melhor de todos os tempos ainda é extra série, sem dúvidas, mas não é mais o melhor (competidor) do tour hoje em dia. É até difícil de aceitar isso, depois de tudo o que vimos ele aprontar no surf competição, mas é verdade. E, por último, o que há com Joel?
Owen, Mick, Julian, Adriano, Filipe e KS. O campeão/15 está entre esses aí. Podem apostar.
 *adaptado do Livro O Berro Impresso das Manchetes – Crônicas completas da Manchete Esportiva 55-59 – Nelson Rodrigues. Editora Agir. 2007.
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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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