Coluna Surfocrata: O Valor de uma boa história

Hoje era dia de falar de Filipe e do seu Bi campeonato do US Open of Surfing, do vice, que não parece ser mais um ozzie operário, como Cathels e Callinan, e que as ondas de Huntington não merecem a atenção que recebem, nem os pontos que distribuem…mas me parece chover no molhado, tanto pelo favoritismo do primeiro, pela confirmação do segundo e repetição do terceiro assunto.

 

Ainda me dói na lembrança o evento do J Bay…ainda mais para um teórico da conspiração assumido, como eu…

 

Já é velha a máxima de que uma modalidade esportiva precisa de mais do que boas disputas, grandes campeonatos ou grandes campeões, precisa de GRANDES HISTÓRIAS.

 

A WSL, pessoa jurídica de direito PRIVADO, com fins lucrativos, sabe muito bem disso e resolveu esticar uma boa história.

 

 

Essa boa história caiu no seu colo, durante a final do evento em J Bay-2015, após um mal entendido entre um tubarão branco e o tricampeão do mundo Mick Fanning. O “ataque” do ano passado foi uma grande história. O retorno triunfante poderia ser outra grande história. Não foi.

 

Não foi graças a intervenção desastrosa da wsl. Atuação bem engendrada, eu reconheço, já que passou batido pelo grande público e para os fãs do macaco albino.

 

Quiseram, com as notas, nos emprestar a ideia de que o surf que o Mick aplicou nas merrecas de jbay é impecável, inimitável e perfeito quando a realidade é distante.

 

Mick pre heat foto: WSL / Kirstin Scholtz

Mick pre heat foto: WSL / Kirstin Scholtz

 

“Basta ir a qualquer praia do nordeste pra ver dezenas de moleques aplicando infinitas combinações de aéreos”. É uma alegação forte até porque é verdadeira. Agora se pergunte quantos deles se lesionaram numa rasgada ou numa batida e quantos se machucaram num aéreo.

 

O surf que Mick aplicou seria mágico num mar de 6 a 10 pés… Sem dúvidas. Agora em marolas de meio metro? Qual o risco de fato para Mick ali? O mesmo Mick que voava a torto e a direito quando jovem e até a lesão de 2004.

 

A exemplo dos equívocos cometidos no julgamento de trestles 2015, julgou-se valorizando em demasia o base lip sem valorizar devidamente a inovação (que aparecia, descaradamente, como um dos critérios do juízes na transmissão).

 

Falar que o surf de Mick ali poucos fazem é história da carochinha já que a maioria faz, especialmente em meio metro. Wilson, Jordy, Joel, KS, Medina, Ace e Mineiro são só alguns dos exemplos de caras que sabem desenhar arcos como ninguém.

 

JJF ripping foto: WSL / Kirstin Scholtz

JJF ripping foto: WSL / Kirstin Scholtz

 

Esse último aliás perdeu uma final em Bells no desempate. A onda do desempate foi justamente uma em que Mick radicalizou (INOVOU?) mais, quando aplicou um tail slide…critérios circunstanciais jamais irão cativar o público da forma que a wsl quer e precisa.

 

De bom mesmo em J Bay tivemos a bateria entre Jadson e Wigolly, a melhor disputa no melhor dia de ondas, o resto, infelizmente, ao menos para mim, se perdeu, já que não importa o que os outros fizessem, Mick teria que levar a etapa…de qualquer jeito.

 

E por incrível que pareça, o único garfado foi JJ…Mick recebeu notas maiores do que merecia em todas as baterias do último dia, mas seus adversários não mostraram surf para bate-lo mesmo que suas notas fossem normais…JJ não…surfou melhor e só não levou porque Mick teve 1 a 1,5 a mais em cada uma de suas ondas.

 

Beneficiaram um declarado não concorrente ao título em prol de uma boa história… desanima…

 

Mick campeão em J Bay foto: WSL / Kirstin Scholtz

Mick campeão em J Bay foto: WSL / Kirstin Scholtz

 

Pelo visto não é só a wsl que quer explorar a “boa história”…

Mick 4

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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