Coluna Surfocrata: Quem aproveitará melhor a ausência do melhor do Mundo?

Para mim essa é a questão principal a ser respondida em Bells e Margareth River.

Após uma primeira etapa interessante, com zebras em 3 dos 4 primeiros lugares, e após também 3 temporadas com inicio quente, de favoritos e tudo mais, temos em 2016 algo novo.

Um inicio completamente aberto. Os dois finalistas, podem muito bem não aparecer mais em final alguma daqui até o final do ano, como também podem surpreender e engrandecer a disputada pelo título da temporada.

Alguém perguntou pro Caio Salles, durante suas geniais apresentações do Cumulus TV do youtube, o que o Wilko está tomando, diante de sua melhora a olhos vistos de surf e de inteligencia competitiva.

Eu respondo, não é o que ele esta tomando, mas o que ele parou de tomar. Creio que a chegada do Hall não deva estar muito longe de alguma chamada da vida (ou do patrocinador). Wilko sempre foi um talento não aproveitado em sua totalidade. É habilidoso, sabe todos os truques “above the lip” e bate com força, especialmente de costas pra onda, além de ser bem atirado. Não ter nenhuma vitória no circuito principal não era culpa de falta de talento.

Ele não foi brilhante, e quem disse que precisa se-lo para vencer no WCT? É preciso sim, ser inteligente, se adaptar rapidamente aos humores do mar e dos árbitros, e foi exatamente isso que fez Wilko nesta primeira etapa do CT 2016.

A questão é se ele consegue ser constante. Eu acredito nele…será top 10 com facilidade esse ano, mas não o vejo disputando o título, torço para estar errado.

Kolohe, ou #Frangohe como carinhosamente eu o chamo no twitter, é um surfista melhor a cada ano. Resultados não mostram isso, mas é. Ele jamais será o que a imprensa americana quer que ele seja, mas terá uma carreira longa e bem sucedida no WCT. Sua hora de vencer esta chegando. Penso que se melhorar suas estratégias, me parece ser um cara que demora para reagir e chegou nessa final com um bom tanto de sorte no bolso. E também acho seu surf repetitivo, como um Ross Willians moderno. Os juizes gostaram de diversas rasgadas com pequenas variações em Snapper, mas isso não deve se repetir em Bells. A exemplo de Wilko, não o vejo disputando o título, mas pode incomodar.

Dito isso, quem deverá aproveitar melhor a ausência de Filipe Toledo na real disputa ao título mundial? Mineiro e Medina; KS e Julian Diva; Parko e JJ.(?)

Analisando as etapas à frente, penso que Mineiro seria o meu candidato ideal para sair da Austrália com a camisa amarela. Julian e JJ podem entrar nessa lista.

Mineiro trabalhou duro em Snapper e tirando a bateria em que perdeu se mostrou bem diferente daquele de 2015, explico: Percebo no surf de Adriano uma agressividade extra, uma raiva a mais em cada manobra, coisa que não viamos anteriormente. E o mais importante, mantendo a linha. Contra o Wilko, estranhamente, ele parecia sem aquela explosão. Com menos energia. De qualquer forma vitórias como a sobre Coffin, novo queridinho da WSL, mostram do que Mineiro é feito. Bells aparenta ser sua onda favorita, se não levar o título entre os 5 primeiros do evento ele estará, fato.

la Diva Julian estava irreconhecível em Snapper. Deve querer compensar em Bells. Seu surf se encaixa na onda e a juizada o adora. Ele viu o que Filipe fez, e é inteligente o suficiente para ver uma janela aberta em sua frente. Os resultados mostraram que o jogo esta aberto. Olho nele.

JJ não deve nem ter percebido que as próximas etapas serão mais importantes ainda para afastá-lo de Toledo no ranking, mas Bede sabe. Se continuar com um técnico lhe dando informações o JJ pode finalmente ser o que todos esperam e concorrer ao caneco do mundo. Não precisa ser Bede, ele pode contratar um para cada etapa, como KS já fez…pra Bells, sugiro Peterson Rosa.

Medina poderia queimar minha língua. Poderia vencer em Bells ou Margareth ou em ambas. Ele esta surfando muito, em forma, competindo de maneira inteligente, mas algo me diz que sua caminhada será dura. Bells não tem um goofie vencendo por lá desde 99 (98?), salvo engano, e Margareth não é das ondas preferidas do Gabriel.

Não vou falar muito do campeonato que acabou de acontecer já que todos viram e leram a respeito. Os demais brasileiros continuam quebrando, especialmente Wigolly, Italo e Caio, com uma certa preocupação com Pupo, um pouco abaixo da média pra quem foi semi finalista ano passado.

Falo sim, e com tristeza da lesão inoportuna de Filipe.

Filipe Toledo se apresentou na Gold Coast numa forma invejável e com a mente pronta para as pressões de Candidato ao Título, mais que isso, se mostrou um extra série, um Intocável (nas palavras de alguns tops do CT).

Sua velocidade e precisão estavam tão acima da média que ninguém em sã consciência poderia sequer compará-lo ao resto da trupe…JJ já foi assim um tempo atrás…hoje sem duvida nenhuma, o melhor surfista do mundo é de Ubatuba.

Sua lesão foi triste, contudo, pode servir pra dar emoção à corrida ao título mundial.

 
Ranking Tour

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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