Coluna Surfocrata: SuperSurf, o Retorno

O momento do surf no Brasil merecia o retorno de um circuito nacional forte. Seria um desperdício não aproveitar o título Mundial conquistado por Medina no ano de 2014.

 

A verdade é que o momento do surf nacional foi potencializado pelo título mundial inédito, mas o fato é que estamos bem no meio de uma geração de prováveis campeões como Mineiro, Filipe, Ítalo…isso sem contar os caras que correm o WQS e talentos regionais “presos” no seu pico local sem condições ($) de mostrar seu talento em outras praças.

 

O Super Surf fez história no esporte e seu retorno é celebrado por gregos e troianos. Achei interessante, por exemplo, a forma de escolha dos participantes, com eventos abertos a 144 atletas, sendo que aqueles ranqueados em 2014 tem a primeira prioridade de inscrição, seguindo para os integrantes do ranking de 2015 e depois para os demais rankings de 2013, 2012, 2011 e assim por diante.

 
Mais interessante ainda é a previsão para o próximo ano, quando nas etapas com premiação superior a 60 mil Dilmas apenas os Top 44 do SuperSurf deste ano correm, no melhor estilo WCT, uma volta as origens, eu diria.
Super Surf 2015. Foto: Ronaldo Nogueira

Super Surf 2015. Foto: Ronaldo Nogueira

 
Agora, a cereja do bolo, a meu ver, seria o aval da WSL para o SuperSurf. Não custa lembrar que aquele histórico evento Prime vencido por Gabriel Medina em Imbituba/11 era um SuperSurf. Creio que etapas do SuperSurf valendo para o QS podem fomentar aqueles “talentos regionais” no mundial de surf.
 
Uma outra hipótese seria fazer a última etapa do ano do SuperSurf valendo pelo WQS, com premiação e pontos maiores. Além de ótima oportunidade para os Tops do CT poderem participar de uma etapa em sua terra natal, além de embolarem a disputa ao título da temporada.
 
Mas como nem tudo são flores e elogios, gostaria de chamar atenção para a questão “necessidade”.
 
O surf nacional vinha de alguns anos de vacas magras, digo mais, vacas mortas. O esporte, a despeito do sucesso internacional de seus atletas, internamente pastava em campos secos e o SuperSurf surgiu como salvador da pátria, literalmente.
 
Isso me preocupa quanto ao valor do esporte no Brasil. Será que por estarmos precisando, o esporte não acabou se vendendo barato demais? Vejam, é só uma dúvida, não uma acusação.
 
Não sei os valores discutidos, nem o prazo firmado, mas esse momento de negociações seria a oportunidade ideal de aproveitar a conversa, e, por exemplo, sugerir a inclusão de uma cláusula que remunere o sucesso, ou seja, dependendo do sucesso atingido neste ano de retorno, poderia se estabelecer, desde logo, em contrato, um bônus para os atletas, seja em $, seja em mais uma etapa, ou ainda, bônus para realizações de expressions sessions. A gama de sugestões seria grande, basta por a cachola para funcionar. E temo que num momento de necessidade, o que foi oferecido foi simplesmente aceito, lembrando novamente que trata-se de uma dúvida, não de uma acusação, já que não sei sequer os números envolvidos.

Super Surf 2015. Foto: Ronaldo Nogueira

 
Apenas imagino que neste momento do país, sem levar em consideração a crise, mas sim o momento do esporte no país, é fácil imaginar que o sucesso do circuito será maior do que o da estréia.
 
As vésperas da terceira etapa, vemos diversos atletas buscando ajuda para chegar ao evento, gente vendendo patrimônio para viajar. E me pergunto, há a necessidade de palanques tao grandes? Será que não seria o caso de votar entre os atletas sobre conforto durante a etapa versus mais $ para eles, seja em ajuda de custo, seja em premiação?
 
De qualquer sorte, o retorno é mais que bem vindo, e nas duas etapas anteriores, com ou sem onda, vemos que o nível do surf nacional é elevadíssimo, com o show garantido, tanto para quem esta na praia como para quem esta em casa, já que o SuperSurf chamou gente do ramo para as transmissões on line. Os fãs agradecem!

Super Surf 2015. Foto: Kin Carlos

Compartilhe...Tweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+Email this to someoneShare on FacebookShare on LinkedInShare on Reddit

Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

Login

Anti-Spam, Porque Por favor, responda a questão! *