Coluna Surfocrata: Surf Olímpico Primeiras Impressões

 

Permitam-me breves pinceladas sobre o futuro surf olímpico.

 

Primeiramente rendo todas as homenagens possíveis para Fernando Aguirre. Ouso colocar este cidadão no mesmo patamar de Duke Kahanamoku.

 

O surf olímpico, creio, terá mais a ganhar se sair do seu esteriótipo de competições. A primeira boa notícia é que serão 30 dias de prazo. Ótimo. Já é meio caminho andado para garantir o sucesso da primeira aparição do surf na olimpíada.

 

A ideia de fazer da praia um boulevard olímpico também é excelente. Basta ver o exemplo aqui do Rio. Já cheguei a ouvir que no quesito night a olimpíada carioca esta tão boa que neguinho já pensa em fazer todas as olimpíadas aqui. Trazer o life style do surf para este evento será a garantia de sucesso e continuidade do esporte no rol olímpico.

 

Agora, achei preocupantemente limitada a ideia de competições com 20 caras e 20 moças. Por quê? Limitar o evento assim tornará a olimpíada uma etapa do mundial mais chique, e mais previsível, já que teremos no máximo de 6 a 8 atletas com reais chances ao ouro. Justamente por isso que acho que a categoria individual não deveria ser o carro chefe da apresentação do esporte. Explico: O público das olimpíadas é muitíssimo mais amplo do que o restrito mundo das ondas.

 

Por isso creio que o surf seria muito melhor aceito se o carro chefe das disputas fossem as disputas por equipes. Considero as disputas conhecidas por “tag team” a joia da coroa e o modo como o surf olímpico deveria ser apresentado para o grande público.

 

Imagino que uma disputa entre equipes de 3 atletas, em baterias/jogos de 1 hora cada seria muito melhor assimilada pelo público olímpico. Essa seria a medalha que melhor representaria o tal do Espírito olímpico. O surf game poderia ganhar de vez o público e estabelecer um modelo de disputa a ser seguido, especialmente quando os jogos forem para um local sem praias, ou sem ondas, mas já chego lá…

 

Imaginem uma final entre Medina, Mineiro e Toledo contra Julian, Mick e Joel?

 

Gabriel Medina. Foto: Kelly Cestari

Gabriel Medina. Foto: Kelly Cestari

 

Não vi ninguém ainda falando isso, mas o longboard também terá disputas, certo? Não consigo conceber um evento ISA sem a modalidade. Falando em inclusão de modalidades, não custa lembrar que estamos falando do ingresso de um esporte e suas ramificações. Por exemplo, certamente o skate terá ao menos 2 modalidades, street e half pipe, certo?

 

O surf não pode ficar atrás! Por que ficar com apenas duas disputas por medalhas (1 masc. e outra fem.) quando pode ficar com 4 ou 5 disputas por medalhas?

 

Se incluírem o longboard, por que não ampliar isso e incluir uma modalidade que envolva o uso de diferentes modelos de prancha, à exemplo do evento anual das Maldivas. Vejo isso até como um jeito de agradas os puristas, com uma apresentação do desenvolvimento do esporte e seus equipamentos. E falando em incluir modalidades, porque não uma disputa por medalha na expression session?

 

Isso tudo sem falar nas paraolimpíadas e suas diversas categorias.

 

Vejam bem, estamos falando de um prazo de 30 dias e num ambiente que permite a disputa em diferentes locais e praias, limitar as possibilidades seria no mínimo desperdício.

 

Por fim, no vídeo acima Aguirre fala que a disputa será no mar. No Japão isso não é problema, ainda mais com prazo de 30 dias, agora, ele tem que pensar na próxima festa. Tirando pelo que tenho visto nesse caótico rio…a festa clima praia cultura surf pretendida pelo argentino, o surf nunca mais sai dos jogos. Dito isso ele tem que, desde já, pensar também na olimpíada agendada pra um lugar sem praia.

 

Também, tirando pelo que vi na faraônica olimpíada do Rio, investimentos numa construção de uma piscina de ondas viável para competições será até bem em conta. Basta ver os números gastos no parque olímpico. A piscina olímpica, por exemplo: Foram gastos R$ 217,1 milhões para construção e outros R$ 8,2 milhões para manutenção de algo que será desmontado logo após o evento. (fonte: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/04/08/dilma-inaugura-estadio-aquatico-olimpico-no-rio-de-janeiro/)

 

A piscina do KS, dizem que pode demorar mais de 10 minutos entre uma onda e outra. Ok, mas e daí?

 

Piscina de ondas de Kelly Slater. Foto: Divulgação

Piscina de ondas de Kelly Slater. Foto: Divulgação

 

Penso aqui com meus botões. Aparentemente o careca e seus cientistas já aprenderam a lidar com a água pra gerar a onda perfeita. O que falta é potência. Ora, será que com R$ 225 milhões eles não resolvem esse problema?

 

Com um detalhe: TEMPO! Esse problema não precisa estar solucionado para 2020…há tempo, e pelo visto muito $$$ sobrando, quando se fala em obras olímpicas.

 

A diferença primordial, creio, é que a grana investida numa onda artificial capaz de sustentar uma competição, ou seja, com capacidade de gerar ondas de qualidade em tempo curto, essa onda, ou melhor esse complexo se paga em qualquer lugar do mundo…25 pratas por onda é um bom preço para começar a bagaça….

 

As piscinas de onda serão a solução do crowd!

Olimpics Games

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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