Coluna Surfocrata: Fiji é 20

Primeiro campeonato do ano sem surfistas da terrinha na final. Estranho, né? Não nossa ausência na final, mas como as coisas mudaram e o que era estranho chegou a ser normal até para os gringos. Um brasileiro sempre nas cabeças. Por um lado até foi bom. Quem venceria Owen em Fiji? Nem Owen, eu diria. Entre os brasileiros, no entanto, Fiji foi uma lição de humildade.

Ítalo, com mais talento que juízo foi longe, de estreante até o garfo de Julian nas quartas de final. Para variar o erro de julgamento não foi na onda final, mas na primeira melhor onda do potiguar. Uma onda pouca coisa menor que a melhor do Julian, num tubo muito mais longo e finalizado com duas manobras. A diferença entre os atletas foi de 0,30. Se o tubo fosse valorizado normalmente, seria um 9…qualquer centésimo pelas duas manobras colocaria Ítalo em sua segunda semi seguida. De qualquer sorte sai de Fiji com o segundo escalpo do careca em mãos, e um belo pedaço do escalpo cabeludo do Richie Porta também, tamanha a falta de critério para suas notas no confronto com o 11x campeão do mundo.

Wigolly mostrou intimidade. Anos e anos de Hawaii o colocaram num patamar de pouquíssima companhia. Estilo, tranquilidade, power e fluídez. Quem faz isso tranquilamente em ondas de 8/12 pés? Conta-se vários e sobram dedos, não? Pena que entrou afoito contra Taj. O australiano não fez uma bateria boa, mas Guigui não achou nada.

Mineiro com sorte de campeão? Não chega a tanto. Até acho que se ele chegasse na “Afriaca” do Sul sem a maldita amarela era vantagem. Mas chegará novamente com a amarelinha, num lugar onde já venceu e onde é muito mais favorito do que era em Margareth, por exemplo. Precisa muito de um resultado, mesmo que não saia de lá com a liderança, no mínimo um quinto lugar é o que necessita para não se afastar da luta pelo caneco.

Filipe mostrou em Fiji que precisa melhorar nas canhotas sobre reef raso. Não chego a dizer que Ricardinho fez falta a ponto de influenciar o resultado, mas picos como Fiji e Teahupoo a presença do bi-campeão nacional é mais importante do que na perna europeia, por exemplo.

Medina voltou! Medina voltou! Bradavam os afoitos. Mas ele tinha ido onde? Não acho que Medina esteja surfando pior do que antes. Esta competindo menos, talvez, mas o surf esta lá. Caiu durante o ano para mar inconsistentes e por adversários inspirados. Exatamente o caso de Fiji. Kai venceu e bem! Ponto final. J Bay Medal estará com seeding diferente (pior) e talvez seja a diferença. Embora não espere grandes resultados do campeão mundial em Jeffrey´s, ainda não pelo menos.

Miguel…ah pequeno Pupo…começo a achar que seus “críticos” tem razão. Seu lugar de direito é ao lado de caras como Craig Anderson, Rastovich entre outros. Após um inicio arrasador na Goldie, nada mais encaixou durante as baterias do Miguelito. Seu melhor resultado foi numa direita…que venha J Bay então!

Alejo foi convidado. Se pegasse o mar que Mineiro perdeu, teria mais chances contra Fanning. KP deu um jeito nisso e Muniz perdeu surfando bem, mesmo com Fanning não fazendo uma bateria daquelas.

CONVITES – WILD CARD SEM CRITÉRIO

A vida no tour, seja como atleta, juiz, fotografo, dirigente…o que seja, beira ao sonho do paraíso. Daí nos perguntamos o que o sujeito fez para merecer estar no paraíso. Os atletas, sem exceção tiveram pelo inferno do QS e estão ali por mérito. Fotógrafos, mais ou menos o mesmo…não tem um prego das imagens ali.

Agora, qual o merecimento da juizada? Dos dirigentes? Quem mede a experiência desses caras? E a eficiência?

Essa vida no tour é tão maneira, mas tão irada que merecia um concurso nível Itamarati para aferir o cidadão, para conferi-lo no direito de usufruir do paraíso, não concordam?

Agora, me surge a idéia de “ajudar” um possível retorno de atletas ao CT com os Wild Cards, já que os pontos do convidado contam no final do ano. Ora, querem tirar o mérito da conquista ao CT? E os caras que ralam no QS há anos? Guigui por exemplo estava quase desistindo de correr o QS quando furou a barreira. A WSL dará um enorme tiro no pé, caso queira repatriar quem lhe virou as costas.

 

 

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Ivo Surfocrata. Pai, Atleticano Paranaense, Advogado, Surfista, Festeiro, Marrento, Bebedor de Cerveja, Curitibano, Metido a Comentarista de surf e de automobilismo, criador do blog surfocracia e iludido pela justiça.

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