Criolo, Marechal, Djs e MCs: Um retorno as origens do Rap no Circo Voador

Um retorno as Origens

Origem… Nada pode definir melhor as noites de Rap de sexta 8 e sábado 9 no Circo Voador. Criolo e Marechal brindaram o público da Lona da Lapa com o mais puro Rap brasileiro. Um mic com DJ e MC e nada mais.

E o que esses dois tem em comum? Autenticidade. Dois dos mais aclamados rappers brasileiros que aproveitam qualquer porta aberta para difundir suas ideias, desde o gueto até novelas globais. Como diz o próprio Criolo o importante é ativar os sensores:
“O mundo mudou – tem letra escrita dez anos atrás, música com 20 anos – mas há uma mesma essência. Era um meio hostil, e quando cada um tá tentando sobreviver no seu microcosmo, não percebe muitas possibilidades. Só que quando alguém te dá uma oportunidade, ninguém sabe o que vai acontecer, e outras portas na sua mente se abrem. Pensei que seria bom confraternizar com as pessoas. Ativar sensores.”

Abertura

Por falar em Globo, Marechal teve seu “boom” midiático” depois que entrou dentro da casa Big Brother e versou refrões de protesto que falavam do próprio programa. “Polêmico”?, “underground”?. Não, apenas ele mesmo. Um cara que aceitou um convite de um amigo (Marquinho Sócio), não recebeu cachê, e mandou seu flow com sentimento verdadeiro. No entanto Marechal é muito mais que isso. É um cara que está na estrada desde 1998. Produtor musical e parceiro de vários projetos como: Batalha do Conhecimento, Projeto Livrar. Enfim um Mc que sempre se reinventa e canta por amor.

O resumo de seu show pode ser definido como o resumo de sua vida. Respeito ao seu público que por tanto se entregar aos flows precisa de momentos de prosa com a plateia no intervalo entre as músicas para recuperar o fôlego.  Lealdade ao fundamento do Rap que não usa padrões para vender e faz versos que vem da alma. E por fim Disciplina que não se preocupa em produção em série e sim em falar a verdade e desta maneira viver de Rap. Foram poucos minutos mas o niteiroense mandou seu recado com louvor.

 

Ainda Há Tempo

A proposta de Criolo de recriar a atmosfesra de seus show no início de 1990 quando começava sua carreira parece ter sido um golaço. Pelo menos foi o que se viu no fim de semana do Circo Voador. Em 1989 o educador Kleber Cavalcante Gomes dava lugar ao rapper Criolo Doido. E hoje, com 40 anos, o que constatamos é um Criolo maduro, marcado e sobretudo iluminado. Um artista que fala de amor ao próximo e transmite isso a cada momento de seu show. Junto com os Djs Dan Dan e Marco o que se viu foi uma apresentação de muita energia, emoção e com momento únicos. Momentos como o minuto de silêncio promovido durante o show de sábado que foi provocado exatamente pela sensibilidade de Dan Dan (parceiro de show) que ouviu em meio a confusão de um show o clamor de uma mulher desesperada que pedia por justiça contra mais um ato de truculência da PM carioca.

Além do repertório do album “Ainda Há Tempo” a apresentação foi uma viagem por clássicos de toda sua carreira com sucessos de ‘Nó Na Orelha’ e ‘Convoque Seu Buda’.

Transe

Um misto de alegria, revolta, contestação e clamores sociais. O fim de semana Rap no Circo foi um pouco disso tudo. Um público em transe em uma espécia de hipnose coletiva, muito também pelo obra prima do artista plástico Alexandre Órion, um  cenário em forma de paisagem móvel de tela de LED, que adequou as animações à dinâmica do espetáculo. O resultado: risos, choro e amor.

Obrigado Marechal. Obrigado Criolo, Dan Dan e Marco. Vocês nos trouxeram uma pura felicidade.

Texto e Fotografia: Ronaldo Nogueira.

 

 

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Carioca, geo empirico, fotógrafo fundador do Drope, boa praça. Gosto de clicar folhas secas, música em excesso e novos livros. Carrego comigo simplicidade, não desprezo a intuição, as inspirações da madrugada e sou um sonhador acordado. Um cara bem intencionado, bem humorado e otimista. Aprendendo a viver de uma maneira mais lúdica. Coleto energia do mundo que me cerca. Aprecio os elementos da natureza, areia, mar, Sol, luar para o enriquecer da alma. Amo Floripa, resido no Rio, mas quero mesmo uma casinha no Hawaii. Entre o teclado na edição e o enquadramento da lente fotográfica vivo minha vida (dropando). (cm)

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