Drope Entrevista Bruno Funil. O cara do NES

Funil fala um pouco de você. Conta para gente como surgiu o NES? Como foi o ínicio?

Eu sou Bruno Funil tenho 40 anos e estou a frente do projeto NES desde sua criação. Eu fiz parte dela. São 11 anos de dedicação ao skate e as categorias de base do skate. O NES começou com o intuito de levar uma modalidade esportiva que até então era muito discriminada para dentro de espaços como: clubes, condomínios, enfim.
A nossa primeira experiência foi no Clube Maquenzie no Méier no ano de 2003. Abriu as portas ali aos finais de semana para gente entrar com uma escolinha de skate e o negócio bombou naquele primeiro momento e achamos um novo clube ali na mesma localidade no Méier, o Atlas Atlético Clube, onde o NES ficou inúmeros anos e ali realmente conseguimos fazer inúmeros campeonatos categorias de base. Também o feminino e conseguimos transformar e fazer parte do processo que acontece até hoje que é a difusão da prática do skate. Levar o skate para todos os lugares. O NES veio com o objetivo de trazer o skate para junto dos outros esportes sem querer tirar um ou outro. Nas aulas de educação física ainda temos apenas os esportes praticados pelos nossos avós e bisavós, tem algo errado aí. O NES está nessa briga aí de levar para dentro da escola, do clube, do condomínio, para o quintal da sua casa.

 

Quantas unidades tem o NES hoje?

Hoje a gente conta com núcleo além do Méier que está em uma nova localidade, ali entre o Méier e Engenho de Dentro em uma excelente academia a Rio Body Club. A gente também está com NES dentro da escola SESC de ensino médio em Jacarepaguá, temos um NES funcionando dentro do Jockey Club da Lagoa, temos uma pistinha lá construída pelos nossos parceiros da Rio Ramp Designer,  e tem aqui onde a gente tá (Rio Sport Center – Barra da Tijuca) o nosso CT, a galera chama carinhosamente de nosso CT. Parece mesmo um centro treinamento com supervisão skate. É uma pistinha compacta onde a gente tem aqui os treinadores, tem um fisioterapeuta e um educador físico que faz um lance a mais que só as aulas de skate. A galera aqui, por exemplo, tem treinamento funcional.

 

Sessão Nes Barra. Foto: Gustavo Suisso

Sessão Nes Barra. Foto: Gustavo Suisso

 

Teu quadro? O NES conta com quantos funcionários?

Cara a equipe NES ao todo juntando todos os NES aí dá umas 15, 16 pessoas. Entendeu entre instrutores, professores, auxiliares desses instrutores. A galera que vai chegando não entra direto como instrutor.

 

E como é a seleção?

A gente já detecta o perfil com alguns dias de teste. Bate maior molecada na porta pedindo oportunidade de trabalhar, amigos e tal. Sempre falam: “Pô não tem uma oportunidade de trabalhar lá no NES”? E eu sempre falo.. Oportunidade sempre tem. Vamos ver se você tem o perfil de fazer a parada, se não tiver está tranquilo também, mas se tiver a gente sempre busca captar essa galera. A gente tem aí essas 15, 16 pessoas espalhadas aí nos nossos 4, 5 núcleos, e enfim, o cara tendo aquela habilidade não só de ficar em cima do skate, mas também de lidar com crianças, com adultos. E a gente não está só no street, a gente está no longboard.  Tem gente que está vindo no NES para aprender a ir na padaria comprar pão, para se dirigir de casa até o trabalho.  Hoje você de skate anda 2, 3 km tranquilo e leva vantagem da bicicleta por que você coloca o skate embaixo da sua mesa de trabalho. Um meio de transporte pessoal, saudável e a gente também está nessa, entrando nesse perfil aí. Então essa galera que está entrando aí tem que ter esse perfil de ensinar o skateboard na simpatia, segurança e prazer.

 

Projetos pessoais Funil…

Além do NES, o NES escolinha, nós também somos uma firma de eventos. Trabalha aí com empresas grandes, prefeituras, eventos diversos. E pessoalmente eu também tenho aí a posição de locutor do skate aqui do Rio de Janeiro. Trabalho para CBSK. Nos últimos 3 anos também tenho trabalhado com World Cup Skateboarding, trabalhando nas etapas do mundial de street fora do Rio. E mais recentemente ainda a gente fez a experiência aí lá pelo canal Fox Sports, que tem aí a exclusividade da transmissão da gigantesca Street League Skateboarding. É um trabalho que eu fiz amarradão. E esse ano tem mais e o Tio Funil vai tá lá a frente dos comentários no mic. Levando para vocês um pouquinho do que a gente faz.

 

E como foi essa transição para TV?

Essa transição cara do campeonato ali ao vivo da improvisação e tal para o estúdio de televisão foi mais fácil que pensei. Eu cheguei lá cheio de medo, mas cara depois das coisas que a gente acompanha que acontece aí nos campeonatos. Quando a gente vai lá para um estúdio com toda estrutura. O locutor lá da Fox.  Ele sempre me deixou a vontade. A resposta foi boa e vejo que a galera curtiu o que rolou lá na Fox.

 

Sessão Nes Barra. Foto: Ronaldo Nogueira

Sessão Nes Barra. Foto: Ronaldo Nogueira

 

Funil vamos falar um pouco do skateboard carioca. A gente está com advento de novas pistas. O Skate do Rio de Janeiro voltou de vez para cenário nacional?

O Rio de Janeiro sempre teve uma tradição muito forte. Isso é maravilhoso… O Futuro que eu imaginava há 10, 20 anos atrás para aqui o Rio de Janeiro está muito além do que eu pedi e imaginei. A gente que veio de uma época que não tinha nada. E eu que tenho trabalhado em eventos. A gente já vem observando uma evolução plena que vem desse surgimento de novas pistas com caras que tem um nível de quase outro planeta. E essa evolução plena vai puxar o nível também de outros setores com mais gente trabalhando com a mídia, mais fotógrafo do meio, mais canais de cobertura, mais acesso. Nossa! Isso é fantástico! Eu vejo pela minha própria agenda, como não tem muitos locutores. Eu narro quase tudo que tem por aí. Cara toda hora a gente está trabalhando. Nova geração de moleques vindo muito alto nível. O cenário está muito favorável para todo mundo que trabalha muito com skate e se Deus quiser conseguir viver disso.

 

Então para finalizar vamos fazer uma brincadeira. Já que você falou em projeção. O que você projeta para o skate carioca daqui a 10 anos?

Daqui a 10 anos cara o skate carioca vai estar com caras de nível assustador, a popularidade do esporte e das oportunidades de se trabalhar com o esporte vão alavancar ainda mais uma coisa que já está por aí com suas engrenagens todas desenvolvidas. A gente está falando de um esporte muito jovem, por exemplo, a Confederação de Skate data de cerca de 10 anos comparado com uma confederação centenária como a do futebol. E o skate como está eu acredito que daqui a 10 anos o Funil vai tá lá no Maracanã com uma pista enorme no meio do campo narrando lá de dentro da cabine do Galvão. Do Brasil para o mundo inteiro. E a galera toda daí da cidade junto colando, e trabalhando. Enfim tomará que o cenário seja esse todo mundo amarradão.

 

Isso é um recado também paras as marcas?

Recado para as marcas..  Abre o olho com o Rio de Janeiro. Até geograficamente cara a gente tem um cenário muito parecido com o da Califórnia. Aquela interação do skate, surfe e outros esportes radicais e a gente está dentro de uma cidade privilegiada dentro da cultura do esporte. O skate está na briga sendo adorado pelo brasileiro e pelo carioca.

 

Manda um salve para galera…

Pô aí Drope Magazine fico amarradão. Eu sou pessoalmente fã das tuas fotos Ronaldo, junto com meu brother Suissão, com a galera toda que está fazendo a cena acontecer. Que a gente tenha aí várias oportunidades de trabalhar, de nos encontrar, tomar aquela cervejinha no final do trampo e skate sempre saúde, lifestyle, muito bom acontecer isso. Salve aí pra vocês do Drope Magazine.

 

A gente que agradece. Valeu Funil!

 

 

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Carioca, geo empirico, fotógrafo fundador do Drope, boa praça. Gosto de clicar folhas secas, música em excesso e novos livros. Carrego comigo simplicidade, não desprezo a intuição, as inspirações da madrugada e sou um sonhador acordado. Um cara bem intencionado, bem humorado e otimista. Aprendendo a viver de uma maneira mais lúdica. Coleto energia do mundo que me cerca. Aprecio os elementos da natureza, areia, mar, Sol, luar para o enriquecer da alma. Amo Floripa, resido no Rio, mas quero mesmo uma casinha no Hawaii. Entre o teclado na edição e o enquadramento da lente fotográfica vivo minha vida (dropando). (cm)

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